6 tendências da Transformação Digital de que todo mundo fala, mas (ainda) não faz

Criar novas funcionalidades e tecnologias não é exatamente o que se espera das empresas.

A verdadeira transformação digital ainda não aconteceu no mercado brasileiro. Há, sim, muitas tentativas por parte dos gestores financeiros digitais, de adequar seus sistemas às novidades em termos de inteligência artificial, business intelligence e machine learning, por exemplo. Mas, no atual contexto do que é ofertado, os usuários continuam isolados e ainda lidando com um conceito arcaico de módulos que se integram por API, mas falam línguas diferentes, por assim dizer. Os consumidores finais também não têm a liberdade de escolher o que usar e como, tendo que realizar sempre algum tipo de adaptação, cujo resultado pode deixar a desejar.

É claro que, diante da realidade que as equipes financeiras viviam há pelo menos 20 anos, tendo que lidar com planilhas e arquivos físicos preenchidos à mão, programas instalados com manutenção onerosa, os gestores financeiros digitais foram úteis e brilhantes na missão de otimizar a rotina os colaboradores e reduzir os erros humanos e custos. Mas quando falamos da verdadeira transformação digital nas empresas, a expectativa é maior do que as habituais automações, oferecidas por praticamente todo gestor financeiro digital existente nos dias de hoje.

Fomos atrás e pesquisamos as principais (e reais) tendências da transformação digital para os próximos anos. Percebemos que não são funcionalidades que se acrescentam a uma estrutura pré-existente, mas sim uma estrutura completamente nova. Se os gestores financeiros digitais fossem uma parede precisando de reforma, a transformação digital seria a construção de uma nova parede, em outro lugar, com outros tijolos.

Confira abaixo 6 reais tendências da transformação digital que você deve ficar de olho:

Business Intelligence

Na transformação digital, o recurso mais valioso é a informação. O BI é um processo de negócio que representa todo o procedimento de coleta, organização, segmentação e análise de dados corporativos com o objetivo de extrair informações relevantes por meio deles e, com isso, gerar negócios e agregar valor à organização. São mais do que simples relatórios, são análises profundas do negócio a partir de uma quantidade de dados que somente poderia ser coletada por máquinas. Ferramentas como o Power BI, da Microsoft, por exemplo, pretendem transformar cada colaborador de empresa em um analista de BI, transformando a análise de dados em parte da cultura organizacional das empresas. Com ferramentas desse tipo, cada pessoa poderá montar relatórios do zero com as informações que achar necessárias, de forma personalizada e intuitiva, com a precisão que só um sistema de BI pode proporcionar.

Internet das Coisas

A Internet das Coisas, ou IoT, refere-se aos bilhões de dispositivos físicos em todo o mundo conectados à Internet, todos coletando e compartilhando dados agora mesmo, enquanto você lê este texto. Conectar todos esses objetos diferentes e adicionar sensores a eles adiciona um nível de inteligência digital a esses dispositivos que seriam “burros” de outra forma, permitindo-lhes comunicar dados em tempo real sem envolver um ser humano. Quer um exemplo prático? Imagine que um cartão de crédito pudesse fazer, no ato da compra, uma análise de sua conta e oferecer, na tela da maquininha, smartphone ou desktop, a melhor opção de pagamento, baseado em seu histórico e extrato bancário: Internet das Coisas.

Nuvem híbrida

Um modelo híbrido de nuvem acontece quando os gestores optam pela integração de uma nuvem privada (da própria instituição) e de uma nuvem pública (fornecida por empresas especializadas) para conseguir ter a segurança de uma e o custo-benefício da outra, sem deixar que a performance fique de lado. A crescente preocupação com a acessibilidade, velocidade de acesso e segurança das informações vem fazendo da nuvem híbrida uma importante ferramenta dos negócios na transformação digital. Ferramentas como a própria Internet das Coisas podem se beneficiar da acessibilidade local, que é ininterrupta.

Omnichannel e Mobile First

Omnichannel é um nome moderno para uma estratégia clássica: integrar canais de venda e comunicação para facilitar a vida do consumidor. Podemos acrescentar, ainda, que a integração omnichannel tem sido requisitada também em termos operacionais, ou seja, poder operar e gerir o negócio de qualquer dispositivo, a qualquer hora. Segundo a Deloitte, 92% dos brasileiros utilizam smartphones no dia a dia, contra 70% e 63% utilizando notebooks e desktops, respectivamente. É por isso que a estratégia Mobile First vem sendo adotada em projetos para web, considerando a tela do smartphone como a principal, e realizando posteriores adaptações para telas maiores, o contrário do que vem sendo feito desde o início da internet.

Comunicação instantânea

Na esteira do item acima, a comunicação a partir de aplicativos de mensagem instantânea vem se tornando cada vez mais solicitada pelos consumidores que precisam ter suas dúvidas respondidas o mais rápido possível. Integrar estes aplicativos ao assistente financeiro com BI, por exemplo, pode otimizar a emissão de boletos e notas fiscais, bem como a baixa de recebíveis, atualizando os dados em tempo real. Outra vantagem é fornecer para o usuário a possibilidade de fornecer feedbacks instantâneos do próprio smartphone através do Whatsapp, por exemplo.

User e Costumer Experience

A verdadeira inovação digital é muito mais sobre pessoas do que sobre tecnologia. É sobre poder fornecer, tanto para os colaboradores e usuários das ferramentas, quanto para os consumidores do seu produto ou serviço, uma experiência sem interrupções, com soluções de design que realmente simplifiquem a jornada. Menos é mais em se tratando de UX. “A evolução do UX está muito mais atrelada a dados, do que necessariamente à novas tecnologias”, explica Adriana Gantus, do Estúdio de Design e Tecnologia Huia. Ou seja, mais vale fazer melhor e aplicar pequenas mas efetivas mudanças a partir do que já se tem, do que implementar novas tecnologias e funcionalidades que deverão ser apreendidas e absorvidas durante meses pelos usuários e consumidores.

Concluo que a transformação digital é um processo de dentro para fora das empresas. É sobre uma mudança nos valores organizacionais, para adicionar cada vez mais inteligência de dados ao negócio. Novas funcionalidades podem até surgir, mas deverão ser consequência da mudança, e não a causa dela.

Marcelo Guerra
CEO da Myfc, desenvolvedora do Billimatic e do Rexpense